por Srila Bhakti Ballabh Tirtha Maharaja
O Pancha Tattva
“Não há diferença entre a energia e o energético no que diz respeito o apariçimento do Senhor como Sri Chaitanya Mahaprabhu e Seus quatro associados: Nityananda Prabhu, Advaita Prabhu, Gadadhara e Srivasa. Entre essas cinco manifestações diversas do Senhor Supremo (como o próprio Senhor e Sua encarnação, expansão e energias) não há diferença espiritual. Eles são cinco em uma Verdade Absoluta. Para o propósito de saborear os sabores transcendentais na Verdade Absoluta, há cinco manifestações diversas. Estas são chamadas: a forma de um devoto, a identidade de um devoto, a encarnação de um devoto, o devoto puro e a energia devocional.
Entre as cinco diversidades na Verdade Absoluta, a forma do Senhor Chaitanya é a da Personalidade Original de Deus, Krishna. O Senhor Nityananda é a manifestação da primeira expansão do Senhor Supremo. De modo semelhante, Advaita Prabhu é uma encarnação do Senhor Supremo. Esses três: Chaitanya, Nityananda e Advaita, pertencem à categoria de Visnu-tattva, ou a Suprema Verdade Absoluta. Srivasa representa o devoto puro, e Gadadhara representa a energia interna do Senhor para o avanço da devoção pura. Portanto, Gadadhara e Srivasa, embora incluídos no Visnu-tattva, são energias dependentes e diversas do Senhor Supremo. Em outras palavras, eles não são diferentes do energético, mas se manifestam de forma diversa para o propósito de saborear relações transcendentais. Todo o processo de serviço devocional envolve uma reciprocidade transcendental na relação entre o adorador e o adorado. Sem tal troca diversa de sabores transcendentais, o serviço devocional não tem significado.”
(Teachings of Lord Caitanya, Capítulo 17, por HDG A.C. Bhaktivedanta Swami Srila Prabhupada)
Origens de Srivasa Pandita
srivasa-pandita dhiman yah pura narado munih
parvatakhyo muni-varo ya asin narada-priyah
sri-rama-panditah sriman tat-kanistha-sahodarah
namnambika vraje dhatri stanya-datri sthita pura
saiveyam Malini namni srivassa-grhini mata
Srivasa é Narada, que desempenha um papel tão importante na lila de Krishna. O amigo de Narada Muni, Parvata Muni, apareceu como o irmão mais novo de Srivasa, Ramai. A esposa de Srivasa, Malini Devi, foi a ama de leite de Krishna em Vraja, Ambika. (Gaura-ganoddesa-dipika 90)
Srivasa Pandita era originário de Sylhet. Mais tarde ele passou a viver em Nabadwip, onde fez uma contribuição imensa à lila de Gauranga. Pelo Chaitanya Bhagavata e pelo Chaitanya Charitamrita aprendemos que Srivasa tinha três irmãos vivendo com ele em Navadvipa: Srirama Pandit, Sripati Pandit e Srikanta ou Srinidhi Pandit. Os quatro participaram da lila de Mahaprabhu.
O Gaudiya Vaisnava Abhidhana cita o Prema-vilasa ao afirmar que o pai de Srivasa era um brâmane védico chamado Sri Jaladhar Pandit. Srivasa Pandita era o segundo de cinco filhos. O filho mais velho, Sri Nalina Pandit, tinha uma filha chamada Narayani, mãe do autor do Chaitanya Bhagavata, Vrindavan Das. O marido de Narayani, Vaikuntha Das Vipra, morreu enquanto ela estava grávida de Vrindavan Das; assim, ela deixou a casa do marido em Kumarahatta (Halisahar) e veio morar com Srivasa em Nabadwip.
Passatempos de Kirtan no Srivas Angan
Depois de uma noite de kirtan na casa de Srivasa, quando Mahaprabhu retornava à consciência externa, Ele ia com todos os devotos banhar-se no Ganges. Às vezes os devotos banhavam o Senhor cerimonialmente no Srivas Angan. Uma das servas de Srivasa, chamada Dukhi, observava a dança extática de Mahaprabhu com lágrimas nos olhos. Ela também realizava o serviço de encher jarros de água do Ganges para o banho matinal de Mahaprabhu. Um dia Mahaprabhu observou sua devoção e ficou satisfeito; Ele mudou seu nome de Dukhi (“infeliz”) para Sukhi (“feliz”).
Em outra ocasião, o único filho de Srivasa morreu enquanto o sankirtana estava sendo realizado em sua casa. Srivasa temia que os sons de lamento vindos do aposento das mulheres perturbassem Mahaprabhu enquanto Ele estava ocupado cantando os Santos Nomes. Assim, ele foi diretamente para dentro da casa e tentou acalmar as mulheres explicando verdades espirituais a elas. Quando elas ainda não pararam suas lamentações altas, Srivasa ameaçou atirar-se no rio e afogar-se se não parassem de fazer barulho. Isso produziu o resultado desejado.
Mais tarde naquela noite, entretanto, o kirtan parou e Mahaprabhu disse:
“Algo não parece certo. Alguma tragédia ocorreu na casa do pandit?”
Srivas respondeu:
“Como poderia haver algo errado, quando tenho o Seu rosto sorridente em minha casa?”
Entretanto, alguns dos outros devotos disseram:
“Prabhu, o único filho de Srivas morreu à noite, cerca de uma hora depois do pôr do sol.”
Mahaprabhu perguntou:
“Por que ninguém disse nada antes?”
Os devotos responderam:
“Senhor, Srivasa nos disse para não falar, porque temia que isso interferisse em Seu prazer no kirtana.”
Mahaprabhu disse:
“Como eu poderia jamais abandonar devotos que Me amam a tal ponto!”
e começou a chorar.
Depois disso, Ele entrou e sentou-se ao lado do corpo morto da criança e a trouxe de volta à consciência. Ele perguntou:
“Criança! Por que você quer deixar a casa de um devoto tão grande como Srivasa?”
A criança morta respondeu:
“Os poucos dias que eu deveria passar na casa de Srivas terminaram, e agora estou seguindo o Seu desejo ao ir para outro lugar. Eu sou um ser vivo sem qualquer independência; não posso ir contra os Seus desejos. Por favor, seja misericordioso comigo para que eu nunca esqueça Seus pés de lótus, onde quer que eu vá.”
Quando os membros da família de Srivasa ouviram a criança falar tal sabedoria, eles imediatamente esqueceram sua aflição e pararam de lamentar.
Mahaprabhu disse a Srivasa:
“A partir de hoje, Nityananda e Eu seremos seus filhos. Nunca o deixaremos.”
(Trecho extraído de “Sri Chaitanya: His Life & Associates”, de Srila Bhakti Ballabh Tirtha Maharaj)
Tradução: Ramananda Das (Felipe D´Aviz)
Fonte: BVML